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A culpa foi de Zënzar, por Ramiro Vidal Alvarinho


Nestes dias chegava-me a notícia do passamento do Tabe, e a raíz disso estivem a fazer retrospetiva da andaina desta banda de rock com base em Cerceda. Estes tipos começarom, mais ou menos, porque as origens de umha banda sempre som difusas, polo ano 1987. O antecedente de Zënzar como tal está naquela demo split de Mördor com Desertores do Arado. Mördor foi o nome pimigeneo dos Zënzar, mas aquele foi mudado por coincidir com o de outra banda da Corunha.

Os Zënzar eram aqueles tipos de Cerceda que de quando em vez sentavam a umha beira do balcom do bar Tápate las Orejas a beber litros de cerveja. Por exemplo. Eram gente accessível e de boa conversa e podias falar com eles de quase tudo. Eram de fora, notava-se-lhes, mas nom eram de maneira qualquer seitários e falavam com todo o mundo. Tinham relaçom com muitas bandas da Corunha. Que onde os vim tocar? Pois em infinidade de lugares e em diferentes situaçons. Poderia-vos dizer que os vim tocando com Fame Neghra, com Xenreira, com os Skornabois, com Extremoduro, com Ruxe-Ruxe, com Os Diplomáticos...

Os Zënzar eram aqueles tipos que nom eram rockabillies, nem punkies, nem heavies (seguro que se sentem identificados com aquela de La Polla tantas vezes cantada a berros por qualquer de nós em noites de euforia: “no somos punkies, ni mods, ni heavies...”) eram uns fulanos de um lugar remoto chamado As Encrobas que um dia lhes deu por tocar rock and roll, mas nom se decidiam por seguir umha estela determinada nem falta que lhes fazia. Isso sim, “a culpa foi de Leño”, reza um dos seus mais populares temas. E é que aquela banda um dia fundada polo Ramiro Penas e o Rosendo Mercado, foi um disparo de saida para muitos...aqueles guedelhudos que resgatavam o rock progressivo e duro de Led Zeppelin e Deep Purple e o blues de Rory Gallagher em favor da sua revoluçom forom referente de muitos em todo o estado espanhol e Zënzar bem poderiam ser considerados um contributo galego a esse caminho iniciado polos de Carabanchel...mas à partir daí, o roteiro tracejado foi tam próprio como plural...piscadelas ao metal e ao rock urbano, pinceladas de punk rock, e aduvios funky (isto último, sobre tudo nos tempos do Silveira) e tudo num cóctel rockeiro capaz de criar hinos da talha de “O home bala”, “Cheira mal”, “O blues da gorxa seca”, “Disparados ao futuro”, “Arrastrado”, “Sigue e dalle”...

Os Zënzar eram aqueles tipos que amavelmente responderom a aquela entrevista que lhes fixem para um fanzine artesanal e modestíssimo, “Falcatruada”, no ano 1996 nada menos. Aqueles que diziam gostar tanto de Ilegales ou La Polla Records como de Fuxan os Ventos ou Red Hot Chili Peppers, ou aqueles que umha noite de maus trasnos no Forum Celticum do Burgo, no que nada funcionava na parelhagem de son lhe dixerom ao meu irmao “Tranquilo Pablo, já tomamos uns ghrolos depois!” aí desde o cenário, e pedirom um aplauso para ele.

Esses eram e som os Zënzar, e chegarom a velhos com paciência, humildade, trabalho e autenticidade. Que é a marca de Cerzeda, essa terra que viu nascer aos Desertores do Arado, Peldaño, Mördor ou projetos mais recentes como Xenderal ou Machina. Invejável a saude da cena musical nesse concelho e nas suas proximidades (às vezes penso que já quixera Corunha...)

Zënzar estám aí, nom marcharom, a pena é que alguém tam induvidavelmente portador do “espírito Zënzar” como o Tabeaio, Tabe, nom vaia estar fisicamente para celebrar essas três décadas de rock. Mas deixou o seu contributo, ajudou a marcar a pauta, aí há estar numha esquina sentado com o seu inseparável charro a contemplar a festa. Na que brindaremos por ele, naturalmente.

Foto de Tabe por Lucía Mallo
Foto da banda por Pepe Cunha




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